Bons empreendedores, péssimos gestores

 

Não é nada difícil encontrar por ai gente que tenha grandes ideias, seja criativo, faça muito bem o seu trabalho e tenha tudo para ser um bom empreendedor. Mas desse grupo de 100 ótimos candidatos, salvam-se 3 ou 4 bons gestores. Duvida?

Além da comunicação, uma outra grande paixão minha é a gastronomia, em especial a confeitaria. Por conta disso, eu faço parte de vários grupos de discussão sobre o assunto e já perdi a conta de quantas vezes encontrei a mesma situação.

Vamos usar para exemplo a personagem fictícia Maria. Maria claramente ama fazer doces,  compra os materiais, pesquisa as técnicas para fazer aquele bolo incrível, e certamente tem talento na execução. Mas, ao ter o bolo pronto, Maria vai para o grupo e pergunta “por quanto eu devo vender?”

Com todo talento e paixão pela confeitaria, não resta dúvidas que Maria tem grandes chances de ser uma boleira de mão cheia, não é? Teria, se não fosse uma péssima gestora.

Sem saber nem mesmo como calcular um preço de venda, é fácil imaginar que Maria também não faz ideia de que precisa descobrir para qual público quer vender, nem como está o mercado em sua região, muito menos quem são seus concorrentes. Maria é uma péssima gestora e por isso ela não consegue empreender. E, se o faz, vai ter prejuízo enquanto não aprender a gerir.

E, como eu disse, esse é uma situação que vi algumas dezenas de vezes.

Sempre que tenho oportunidade eu explico algumas técnicas de calculo de preço, com medo de que, como geralmente acontece alguém responda “vende por tanto” e lá vai Maria vender pelo tanto orientado. O grande problema é que esse tanto não está levando em consideração as particularidades da produção da Maria.

Pode ser que Maria, morando em Manaus, tenha gastado R$ 8 em um quilo de farinha usada para fazer o bolo. E a colega do grupo, residente em São Paulo, tenha encontrado uma ótima promoção de farinha a R$ 4. Ou seja, é impossível calcular o preço de venda ter os custos na ponta do lápis. Eu falo mais sobre cálculo de custos aqui.

Não resta dúvidas que temos, em geral, uma tendência a aprender na prática. O problema é quando esse aprendizado se dá pela prática, e deixamos de estudar um pouquinho de teoria antes.

Enquanto estudamos técnicas de gestão temos espaço para errar, mas quando estamos gerenciando nosso próprio negócio, errar significa perder dinheiros, deixar de fazer negócios e, até, fechar a empresa.

Por tudo isso, tenho aprendido que o bom empreendedor não pode ser apenas o criativo, mas tem que ser também o analítico. Óbvio que tem sonha com um empreendimento anseia pela parte prática, anseia pela mão na massa, eu me sinto assim também. Mas sem uma boa dose de conhecimento estrutural nenhum negócio dura. Vamos ser bons empreendedores e gestores melhores ainda?

 

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